<T->
          Amigos do Peito
          
          Cludio Thebas

<F->
Impresso Braille em volume 
nico na diagramao de 28 
linhas por 34 caracteres, da 
editora Formato, 14 edio -- 2005.
<F+>

           Volume nico

           Ministrio da Educao
           Instituto Benjamin Constant
           Av. Pasteur, 350-368 -- Urca
           22290-240 Rio de Janeiro 
           RJ -- Brasil
           Tel.: (0xx21) 3478-4400
           Fax: (0xx21) 3478-4444
          E-mail: ~,ibc@ibc.gov.br~, 
          ~,http:www.ibc.gov.br~,
          -- 2007 --
<p>
          Texto (C) 1996 Cludio 
          Thebas

          Editoria
          Sonia Junqueira

          Assistncia editorial
          Jakeline Lins

          Secretaria Editorial
          Flvia Arajo

          Editorao Eletrnica
          Bruno Martins

          ISBN 85-7208-145-3

          Copyright desta edio:
          SARAIVA S. A. Livreiros 
          Editores, 2005
          Av. Marqus de So Vicente, 1697 -- Barra Funda
          01139-904 -- So Paulo -- SP
          Fone: (0xx11) 3613-3000
          Fax: (0xx11) 3611-3308 -- Fax vendas: (0xx11) 3611-3268
          ~,www.editorasaraiva.com.br~,
          Todos os direitos reservados.
                               I
<R+>
Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)
 (Cmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
<R->

          Thebas, Cludio, 1964.
          Amigos do Peito / Cludio Thebas;
          ilustraes Eva Furnari.
          -- Belo Horizonte: Formato 
          Editorial, 1996.

          ISBN 85-7208-145-3

  1. Literatura infanto-juvenil. I. Furnari, Eva.
          II. Ttulo.

95-3862	          CDD-028`.5

<R+>
ndices para catlogo sistem-
  tico:
 1. Literatura infantil 028`.5
 2. Literatura infanto-juvenil 028`.5
<R->
<P>
  Cludio Thebas: Nasceu em So Paulo. Trabalha com arte, educao, msica e teatro infantil, realizando oficinas de arte e criatividade em centros culturais e escolas. Escreveu, entre ou-
tros, *Guia Prtico para fazer as coisas*, *O comilo* e *Menino que chovia*.

               ::::::::::::::::::::::::

  Os poemas deste livro mostram, de um jeito divertido, o que acontece na vida de um menino pequeno durante um dia inteiro. A hora de se levantar, a escola, a vizinhana, o irmo menor, a av, os amigos do peito, o gato, o cachorro... so alguns dos temas que fazem a gente rir, e pensar, e se emocionar...

               ::::::::::::::::::::::::

<R+>
Para ngela e Denise, I-Ching, e para meus filhos, fonte.
<R->
<P>
                            III
Prezado(a) Leitor(a),

  Este livro  de uso coletivo. Como, alm de voc, muitos leitores tero acesso a ele, certos cuidados ao utiliz-lo so muito importantes:
<R+>
 manuseie-o com as mos limpas.
 evite comer ou beber enquanto estiver lendo.
 procure mant-lo bem conservado, sem rabiscos, dobras e sem recortes.
 ao concluir a leitura, devolva-o para a biblioteca. 
  Contamos com sua colaborao.
<R->

Boa leitura.
<P>
Sumrio

 A casa ::::::::::::::::::::: 1
 Sono pesado :::::::::::::::: 2   
 A escola ::::::::::::::::::: 4
 A vizinhana ::::::::::::::: 5 
 Amigos do peito :::::::::::: 7   
 Hora do almoo I 
  A misso da me :::::::::: 8   
 Hora do almoo II  
  A resposta do filho :::::: 10   
 Irmo menor :::::::::::::::: 12   
 Brinquedo novo 
  A regra do jogo :::::::::: 12   
 Jogo de dados  
  Jogo de regra :::::::::::: 13   
 O co :::::::::::::::::::::: 14   
 O gato ::::::::::::::::::::: 15  
 O mdico  o monstro ::::::: 15   
 A visita da tia :::::::::::: 16   
 Casa da vov ::::::::::::::: 18   
 Hora do banho :::::::::::::: 20 
 Hora de dormir ::::::::::::: 22   

<5>
<Tamigos do peito>
<T+1>
<R+>
<F->
A casa

-- No sou tolo,
sou tijolo.
Tenho amigos
na parede.
Creso muro,
sou seguro,
e protejo
muita gente.

-- Sou cimento,
sou ciumento:
quero tudo
para mim.
Onde encosto
nada solta,
tudo em volta
fica assim.

 verdade,
essa amizade
h tanto tempo
que no muda!
<P>
Seu Cimento
e seu Tijolo:
essa dupla
no desgruda...

Do abrao
desses dois,
vai surgindo
a moradia.
Uma casa!
Puxa vida!
 o princpio
da alegria!!
 
      ::::::::::::::::::::::::

<6>
Sono pesado

Toca o despertador
e meu pai vem me chamar:
-- Levanta, filho, levanta,
t na hora de acordar.

Uma coisa, no entanto,
impede que eu me levante:
sentado nas minhas costas,
h um enorme elefante.

 
Ele tem essa mania,
todo dia vem aqui.
Senta em cima de mim,
e comea a ler gibi.

<7>
O sono, que estava bom,
fica ainda mais pesado.
Como eu posso levantar
com o bicho a sentado?

O meu pai no v o bicho,
deve estar ruim da vista.
Podia me deixar dormindo,
enquanto ia ao oculista...

-- Espera um pouco, papai...
No precisa ser agora.
Daqui a cinco minutos
o elefante vai embora!

Mas meu pai insiste tanto,
que eu levanto, carrancudo.
Vou pra escola, que remdio,
com o bicho nas costas e tudo!

     ::::::::::::::::::::::::

<8>
A escola

Todo dia,
na escola,
a professora,
o professor.
A gente aprende,
e brinca muito
com desenho,
tinta e cola.

Meus amigos
to queridos
fazem farra,
fazem fila.
O Paulinho,
o Pedro,
a Patrcia
e a Priscila.

<9>
Quando chega
o recreio
tudo vira
brincadeira.
Como o bolo,
tomo o suco
que vem dentro
da lancheira.

Quando toca
o sinal,
nossa aula
chega ao fim.
At amanh,
amiguinhos,
no se esqueam, no,
de mim...

     ::::::::::::::::::::::::

<10>
A vizinhana

Tanta gente diferente!
Um  triste,
outro contente.

Dona Snia,
seu Silvrio:
ele  srio,
ela, risonha.
O Manuel
da padaria --
que sotaque
diferente!
Seu Heitor,
to bem vestido!
L no banco
ele  gerente.

<11>
Sem contar a crianada,
molecada,
que alegria!
Todo dia de vero
a rua vira folia.
E todo dia  a mesma histria:
de manh, hora de escola;
de tarde, o bate-bola,
e bate-boca com o vizinho:
-- D a bola, seu Afonso!
-- No devolvo, no, senhor!
J quebraram minha vidraa,
e acertaram meu pastor!

Quando chove, a molecada
se recolhe, maldizendo,
e as plantinhas fazem festa:
-- Mas que bom, est chovendo!

Quando chega o fim do dia,
o sol se esconde
e chama a lua.
Toda a rua silencia.
Cada lar, cada casinha,
recolhe os filhos seus.
Todos eles vo dormir
bem na santa paz de Deus.

     ::::::::::::::::::::::::

<12>
Amigos do peito

Todo dia eu volto da escola
com a Ana Lcia da esquina.
*Da esquina* no  sobrenome,
 o endereo da menina.

O irmo dela  mais velho
e mesmo assim  meu amigo.
Sempre, depois do almoo,
ele joga bola comigo.

J o Carlos Alberto, do lado,
(*do lado* no  nome tambm)
tem uma bicicleta legal,
mas no empresta pra ningum.

<13>
O bairro onde moro  assim,
tem gente de tudo que  jeito.
Pessoas que so muito chatas,
e um monte de amigos do peito:

 
o Bruno do prdio da frente,
o Ricardo do stimo andar,
o irmo da Lcia da esquina,
o filho do dono do bar.

O nome completo deles
eu nunca sei, ou esqueo.
Amigo no tem sobrenome:
amigo tem endereo.

     ::::::::::::::::::::::::

<14>
Hora do almoo I
  A misso da me

Uma colherada,
outra colherada.
Voc no comeu nada,
come, meu amor.

Falta s um pouco,
s mais um pouquinho.
Mame fez com carinho,
almoa, por favor!
<P>
 
Vai, meu leozinho
come s mais essa.
Hum... t bom  bea!
Que bicho comilo!

Olha o aviozinho,
abre a portinhola,
anda, no enrola,
come este avio!!

<15>
No brinca com a comida,
arroz no  brinquedo.
No mexe a com o dedo,
que horror de educao!

Larga da verdura,
abre logo a boca.
Eu ainda fico louca,
engole esse feijo!

Saia j da mesa
eu no estou brincando.
Voc est abusando,
sujou toda a toalha!
<P>
 
*Na hora do almoo
sinto um frio na espinha:
vira campo de batalha
o que era uma cozinha*...

     ::::::::::::::::::::::::

<16>
Hora do almoo II
   A resposta do filho

*Minha me vive forando
o meu irmozinho a almoar.
Se eu fosse ele, respondia o 
  seguinte*:

No quero comer nada,
no perca tempo  toa.
Colher no  avio,
e agrio tambm no voa.

A garagem est fechada,
eu no quero mais feijo.
Eu s como aviozinho
se ele for de macarro.
<P>
 
No adianta ficar brava,
no adianta ficar sria,
eu no gosto da comida, 
desta companhia area.

Besteira ficar falando
que fez no maior capricho.
Ou ento ficar inventando
que eu sou um monte de bichos! 

"Vai, meu leozinho,
voc no comeu nada"
Nunca vi leo comendo
arroz, feijo e salada!

Voc j inventou muito,
mas no me convenceu.
Depois eu como bolacha
brincando que eu sou eu!

     ::::::::::::::::::::::::

<17>
<P>
Irmo menor

Irmo menor  uma coisa legal.

D pra jogar bola,
correr no pega-pega,
esconder no esconde-esconde,
brincar de cabra-cega.

Vou com ele na piscina
quando o clube est aberto.
Ah Tambm d pra bater nele
quando a me no est por perto

     ::::::::::::::::::::::::

<18>
Brinquedo novo
  A regra do jogo

 meu!
 meu porque  meu,
porque eu ganhei,
papai me deu.
Ento, me d,
no te emprestei,
devolve j,
se  meu,  meu.
Voc no tem, 
azar o seu.
Manh, vem c!!
Ai, ai, doeu!!!

     ::::::::::::::::::::::::

<19>
Jogo de dados
  Jogo de regra

-- No cho no vale!
-- No vale por qu?!
-- No cho s vale
quando  bom pra voc!
-- Mas no faz diferena,
no faz mal nenhum
-- Queria s ver
se, em vez de seis, fosse um!
-- Joga logo, pirralho,
eu no tenho o dia inteiro!
-- S jogo se o dado
s valer no tabuleiro!
-- No fala bobagem,
pega a regra pra ver!
-- Voc sabe muito bem
que eu ainda no sei ler!!
-- Falou o nenezinho!
Eu leio a regra, ento
-- De jeito nenhum,
voc  um ladro!
-- Larga de ser bobo,
que moleque mais choro!
-- No me chama de moleque,
choro  tua v!!

Sopapo!
Empurro!
Safano!
Qiproqu!!!

O jogo acabou,
mas ficou a questo:
-- Afinal
vale ou no vale no cho??

     ::::::::::::::::::::::::

<20>
O co

Sou muito mais que um co:
eu sou de estimao,
companhia,
distrao.
"Sou seu melhor amigo":
este  um ditado antigo
que sigo e levo a cabo.
Se no posso te abraar,
dou lambida e abano o rabo.

     ::::::::::::::::::::::::

O gato

Os ratos todos me temem,
as gatinhas todas me amam.
Os vizinhos, com sono, reclamam
dos barulhos que fao no muro.
De noite eu brigo no escuro,
sou muito valente, de fato.
Por isso todas suspiram:
"To lindo, to gil,
que gato!"

     ::::::::::::::::::::::::

<21>
O mdico  o monstro?

O mdico nunca me disse:
-- Sorvete. Tome sorvete.
-- Picol, trs vezes por dia.
<P>
 
Doutor  contra a alegria.
Adora remdio, adora injeo!
Doutor, ora, Doutor
O certo  Dou-dor, isso sim,
por que no?

     ::::::::::::::::::::::::

<22>
A visita da tia

Tenho uma tia gorda
que d um abrao apertado.
Eu agento, j sou grandinho.
Meu irmo quase morre esmagado.

"Ela tem abrao de urso" --
falo, num tom atrevido.
"Ser que ela  tia mesmo,
ou um urso de bolsa e vestido?"

Da janela do quarto eu a vejo,
vindo sempre no mesmo percurso.
Saio logo correndo e avisando:
-- Esconde! Esconde!  o urso!!
<P>
 
Mas o faro do bicho no falha:
ela encontra a gente na hora.
Com o abrao dela, eu gemo.
Meu irmo? Quase sempre chora.

<23>
Se queremos sossego,
ela insiste, no deixa!
Depois da tortura do abrao,
tem tortura na nossa bochecha.

Ela espreme, aperta e estica.
Puxa No h quem agente.
Ser que ela ainda no sabe
que a bochecha faz parte da 
  gente?!

A tarde, enfim, vai passando,
e o urso ficando um amor.
Oferece uns doces gostosos
com frutas do interior.

A calma s acaba na hora
do abrao de despedida:
<P>
se meu irmo no chorou na 
  entrada,
pode crer, vai chorar na sada!

     ::::::::::::::::::::::::

<24>
Casa da vov

Se a pedra
no  pedra,
ou se a pedra
no  nada,
esta pedra disfarada
o que ela , ento?
Uma pedra pode ser
s pedregulho
ou tambm
-- e que barulho! --
pode ser um avio

Se a panela
da cozinha
de uma casa
no tem cabo
mas tem asa,
se transforma
num condor.
E se eu bato
no bumbum
desta panela,
num instante
viro ndio
e ela vira
meu tambor

<25>
E a corda
que inda ontem
era serpente
agora h pouco,
e de repente,
ficou sendo um cip

Pois um dia
nunca 
igual ao outro,
e tudo isso --
quem diria? --
no quintal
da minha v

     ::::::::::::::::::::::::

<26>
<P>
Hora do banho

Entrar no banho, puxa vida,
 acabar com a brincadeira.

-- J pro banho, no enrola,
olha s quanta sujeira!

Todo dia isso acontece.
Minha me  mesmo fogo:
sempre fica me chamando
na melhor parte do jogo.

Eu subo pro banheiro
de bico, e emburrado.
"Todo mundo est brincando
e eu sozinho aqui, pelado!"

A eu entro no *box*,
e o burro fica de fora.
A gua comea a cair
e me esqueo logo da hora.

Ajeito pra trs o cabelo
que o creme rinse alisou.
"Luzes, cmera, ao!
Vai comear o meu *show*!"

 
Seguro o chuveirinho
e canto um *rock* maneiro.
S engasgo, de vez em quando,
com a gua que sai do chuveiro.

<27>
A platia, entusiasmada,
aplaude e pede mais um.
Durante o bis vou lavando
a barriga, o pintinho, o bumbum.

A minha touca de plstico 
me serve que nem uma luva.
Com ela, sei que sou um ndio,
e invento uma dana da chuva.

"Mim ser o Deus do trovo!
Querer cair tempestade.
Mim abrir a torneira,
e fazer chuva  vontade."

Quando vou me transformar
noutra coisa muito legal,
minha me bate na porta
com voz de ponto final:
<P>
 
-- Sai do banho, anda logo.
Quer ficar a noite inteira?

Sair do banho, puxa vida,
 acabar com a brincadeira!

     ::::::::::::::::::::::::

<28>
Hora de dormir

Na hora de dormir,
eu sou que nem a luz do quarto:
fico brincando, no canso, 
  brincando
A luz brilhando, no alto, 
  brilhando
A
meu pai me chama,
me leva pra cama,
me faz um afago.
Clic,
<P>
ele apaga a luz.
E clic,
eu tambm apago.
<F+>
<R->

               xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxo

Fim da Obra
